Postado em: 12/06/2014

MACROECONOMIA DO SETOR HOTELEIRO EM 2014

            INTRODUÇÃO

 

            Recentemente, a ABILITY CENTRO DE NEGÓCIOS esteve reunida com os principais “players” do mercado hoteleiro mundial, dos quais citamos as maiores cadeias hoteleiras; fundos de investimentos; investidores; empresários; empresas especializadas em projetos de hotéis e resorts; consultorias diversas; órgãos de diferentes governos; entre outros.

            Dessa forma, a ABILITY CENTRO DE NEGÓCIOS tem investido na expansão de sua “networking” a fim de agregar valor, cada vez mais, aos serviços que presta aos seus clientes. Os inúmeros relacionamentos que possui e a vasta variedade de serviços e oportunidades de negócios que agrega favorece as atividades hoteleiras a fim de que a gestão desses empreendimentos alcance sempre a eficiência máxima.

            Abaixo, citamos as empresas com as quais nos relacionamos, caso tenham qualquer tipo de interesse. Devemos frisar que todos os contatos são diretamente com os Executivos que as representam, ou seja, Presidentes, Vice Presidentes e Diretores.

            - Accor (Mercure, Adagio, Ibis, Hotel F1, Sofitel, Pullman, Grand Mercure, Novotel, Gallery);

            - Wyndham Hotel Grouo (Tryp, Wingate, Hawthorn, Microtel, Planet Hollywood, Ramada, Baymont, Days Inn, Super 8, Traveledge, Knights Inn, Wyndham Hotels and Resorts);

            - Marriott International (The Ritz Carlton, Bvlgari, Edition, JW Marriott, Autograph Collection, Renaissance, Marriott, Marriott Executive Apartments, Courtyard, Residence Inn, AC Hotels, Fairfield Inn & Suites);

            - IHG (Hollyday Inn, Crowne Plaza, Intercontinental, Hualuxe, Hotel Indigo, Even Hotels, Staybridge, Candlewood)

- Carlson Rezidor (Radisson, Park Inn, Country, Quorvus);

            - PHG Hotels & Resorts;

            - NH Hotel Group;

            - La Quinta;

            - Talbot Hotels;

            - Hilton Worldwide (Hilton Hotels & Resorts, Embassy Suites, Dobretree, Garden Inn, Hampton, Home 2, Homewood);

            - Hotel 6;

            - BCQS;

            - EDSA;

            - Crowe Horwath;

            - FSA Group;

            - RCI (Colombia).

           

MACROECONOMIA E O SETOR HOTELEIRO

            Alguns dados são de extrema relevância a fim de que os stakeholders do segmento hoteleiro possam adequar suas estratégias mercadológicas e influenciar políticas públicas de desenvolvimento sustentável deste setor. Para tanto, a análise detalhada e comparada de índices confiáveis exerce função essencial para a diagnose do segmento e definição de ações futuras.

            As informações abaixo levam em consideração mais de 6,7 milhões de apartamentos e 49.700 hotéis em todo o mundo, com especial atenção ao mercado sul-americano.

            Num estudo entre mais de 720 hotéis e 122.000 apartamentos, a STR Global, constatou que houve, em 2013, uma queda de 3,0% da receita por apartamento disponível nos países da América do Sul, comparados a + 5,3 da América do Norte, + 6,0% da Europa, +1,2% da Ásia, -4,2% da África e -4,2% da Oceania. Oportuno é informar que, em 2013, o mundo ainda se encontrava inserido sob forte recessão, o que, muitas vezes, pode resultar em inflação elevada ou queda de demanda. Tudo isso reflete diretamente na rentabilidade do segmento.

            O índice de receita por apartamento disponível, contudo, desde 2008, aumentou 30% em países como o Brasil e Argentina. Neste último caso, contudo, a inflação elevada compromete a análise da rentabilidade, vez que, dado o reajuste constante dos preços, o índice será diretamente alterado. No Equador, todavia, país com a economia bem mais estável que o Brasil, o índice também sofreu o incremento de 30%.

            Há considerável melhora quando se analisa esse índice de rentabilidade até Julho de 2014. Os valores alteraram para +4,3 na América do Sul, +7,3 na América do Norte, +5,4 na Europa, +4,7 na Ásia, -2,1 na Oceania e -2,5 na África. Uma das explicações para o resultado negativo do continente africano é a oferta superior a demanda, em decorrência dos eventos esportivos de 2010.

            De acordo com essa análise, há de se dizer que, além do continente africano, a América do Sul e América Central também têm oferta maior que a demanda, enquanto todas as demais regiões possuem a curva de demanda acima da curva de oferta. Do ponto de vista econômico, se há oferta superior à demanda, a tendência é de queda nos preços, caso as condições do mercado permaneçam constantes. Caindo-se os preços, haverá empresas que optarão por se retirarem do mercado. Para que isso não ocorra, relevante estratégia é a adoção de políticas públicas que incentivem o turismo, a fim de que haja alteração da curva de demanda.

            A taxa de ocupação, em Julho de 2014, foi de -1,6% na América do Sul e América Central, +3,4% na América do Norte, +1,9% na Europa, +2,3% no Oriente Médio, -1,9% na África, +0,7% na Ásia e +2,4% na Oceania. As variações no preço médio por apartamento, no mesmo período, foram de +5,9% na América do Sul e América Central, +2,8% na Europa, +3,1% no Oriente Médio, -0,7% na África, -2,1% na Ásia e -4,4% na Oceania. Novamente, relevante se faz mencionar a inflação de parte dos países da América do Sul, a qual contribui na análise de preço médio por apartamento.

            Resultados do mercado americano:

Índice

América do Norte

Caribe

América Central

América do Sul

Ocupação

 

65,1% (+3,4%)

71,8% (+0,2%)

59,2%

(-1,8%)

61,1%

(-1,6%)

Preço/apart

$115,00 (+3,8%)

$208,00 (+7,7%)

$120,00 (+2,6%)

$149,00

(+6,5%)

Receita/apart disponível

$75,00 (+7,3%)

$149,00 (+8,0%)

$71,00

(+0,8%)

$91,00

(+4,8%)

 

Índice

LUXURY

UPPER UPSCALE

UPSCALE

UPPER MIDSCALE

Ocupação 2013

61%

62%

61%

58%

Ocupação 2014

60%

61%

59%

59%

Preço/apart 2013

$240,00

$165,00

$120,00

$115,00

Preço/apart 2014

$295,00

$180,00

$125,00

$110,00

 

Índice

COLOM

ARGEN

BRASIL

PERU

CHILE

EQUAD

Ocupação 2014

56%

57%

62%

64%

64%

68%

Preço/apart 2014

$130,00

$125,00

$140,00

$145,00

$160,00

$110,00

 

Índice

Bogota

Buenos Aires

São Paulo

Gauyaquil

Santiago

Lima

Quito

Rio de Janeiro

Ocupação 2014

55%

60,5%

63%

64,5%

65%

71%

73%

74%

Preço/apt 2014

$140

$135

$155

$105

$170

$150

$110

$260

 

            Investidores internacionais apontam a inflação como o principal risco proveniente de países da América do Sul, a citar o Brasil. São exceções a essa regra Colômbia, Chile, Peru e Equador. Esses países, em razão do cenário de investimentos favorável, são economicamente atrativos aos investidores internacionais. Considerando-se a preferência dos investidores internacionais do segmento hoteleiro, o Brasil ocupa posição de destaque, após o México. A posição atrativa do Brasil deve-se ao imenso mercado consumidor e a economia forte, embora instável. A reclamação dos investidores internacionais, resumidamente, refere-se à ausência de estímulos e incentivos do governo para investidores internacionais; total falta de suporte; elevado grau de burocracia; dificuldade na obtenção de licenças; legislação defasada; excessiva carga tributária; inflação; extrema dificuldade para ingresso no mercado, haja vista as exigências de cada localidade; instabilidade econômica; entre outros.

 

PIB

            Os países desenvolvidos respondem por 58,6% do PIB Mundial e os países considerados emergentes, por 38,6% do PIB Mundial. O Brasil, isoladamente, responde por 2,9% do PIB Mundial, sendo detentor do maior PIB da América Latina, seguido do México, cujo percentual corresponde a 1,7% do PIB Mundial.

            Em contrapartida, quando o assunto é reinvestimento, embora essa política pública pareça ser elementar, o Brasil desperdiça toda a sua eficácia econômica. Peca, pois, o Governo Brasileiro quando o assunto é reinvestimento na estrutura do país, desenvolvimento, sem se contar a ineficiência dos gastos feitos, oriunda da corrupção e do superfaturamento de obras públicas.

            O ranking de reinvestimentos em 2013, levando-se como parâmetro o percentual do PIB reinvestido, coloca o Brasil na 18ª posição. Infere-se, pois, que o desenvolvimento e o crescimento não são metas tão prioritárias do Governo brasileiro.

            1º - China 47.9% do PIB reinvestido;

            2° - India 34.7%;

            3° - Indonesia 33.6%;

            4° - Panamá 30.0%;

            5° - Austrália 27.6%;

6° - Ecuador 27.4%;

7° - Coréia do Sul 26.3%;

8° - Malásia 26.3%;

9° - Canadá 24.3%;

10° - Colômbia 24.2%;

11° - Argentina 24.2%;

12° - Chile 23.9%;

13° - Rússia 23.7%;

14° - Hong Kong 23.5%;

15° - México 22.2%;

16° - Turquia 21.5%;

17° - Nova Zelândia 21.4%;

18° - África do Sul 19.4%;

19 ° - Brasil 18.3%;

20° - El Salvador 14.1%.

 

            Crescimento do PIB (2011 a 2014) – comparativo entre países da América Latina:

                       

            Nesse cenário macroeconômico da América Latina, há de se destacarem países com econômicas sustentáveis, atrativas e promissoras, como Panamá, Colômbia, Chile, Peru e México. Esses países têm se destacado frente a potências emergentes como o Brasil, fruto de políticas públicas eficientes e sustentáveis. Vergonhosa, contudo, é a participação brasileira, haja vista ser a economia mais forte, porém com índices de crescimento próximos a El Salvador e Argentina, diante da forte crise que enfrenta.

            Principais Indicadores Econômicos

ARGENTINA Fonte: (Orlando J. Ferreres & Associados)

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

8,2%

5,1%

-0,2%

3,2%

-2,0%

0,4%

Inflação

27,5%

21,3%

24,7%

29,8%

41,4%

39%

Taxa de Câmbio

4,0

4,3

4,9

6,3

9,6

13,3

 

BRASIL

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

7,5%

2,7%

1,0%

2,5%

0,3%

1,1%

Inflação

5,9%

6,5%

5,8%

5,9%

6,4%

6,2%

Taxa de Câmbio

1,7

1,9

2,1

2,4

2,4

2,6

 

COLÔMBIA

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

4,0%

6,6%

4,0%

4,7%

4,9%

4,7%

Inflação

3,2%

3,7%

2,4%

1,9%

3,3%

3,1%

Taxa de Câmbio

1,9

1,9

1,8

1,9

1,9

2,0

 

EQUADOR

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

3,5%

7,9%

5,2%

4,6%

4,1%

4,0%

Inflação

3,3%

5,4%

4,2%

2,7%

3,4%

3,6%

Taxa de Câmbio

1

1

1

1

1

1

 

MÉXICO

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

5,1%

4,0%

4,0%

1,1%

2,5%

3,8%

Inflação

4,4%

3,8%

3,6%

4,0%

3,8%

3,4%

Taxa de Câmbio

12,4

14

12,9

13

12,9

12,8

 

PERU

Índice

2010

2011

2012

2013

2014 p

2015 p

Crescimento Econômico

8,5%

6,5%

6,0%

5,8%

4,5%

5,5%

Inflação

2,1%

4,7%

2,7%

2,9%

3,1%

2,7%

Taxa de Câmbio

2,8

2,7

2,6

2,8

2,8

2,9

 

 

            Infelizmente, é possível depreender que a situação brasileira não é tão bem vista no cenário internacional quanto alegam os governantes. Os indicadores brasileiros, comparados a outros países da América Latina, demonstram não ser tão eficientes quanto os de outros países, cujas economias já se encontram mais sólidas, estabilizadas e desenvolvidas.

            O atraso das políticas públicas brasileiras reduz a competitividade e a atratividade do país no cenário internacional.

    

CONCLUSÃO

             O mercado brasileiro, assim como em outros segmentos, carece de desenvolvimento de políticas públicas sustentáveis, as quais atraiam investimentos internos e externos. Ilude-se o governante que acredita estar o investidor internacional alheio à realidade do Brasil, a qual é diferente daquela pregada por seus líderes. As elevadas taxas de corrupção, o excesso de dificuldades, a falta de reinvestimento e a instabilidade de sua economia são fatores que posicionam o Brasil num nível bem inferior ao que corresponde a sua potencialidade. Resta, contudo, um grande atrativo para os principais investidores mundiais: o dinâmico mercado consumidor, o qual, numa análise custo-benefício, permite que alguns desses players estejam dispostos a enfrentar a anacrônica burocracia nacional.

            No cenário econômico mundial, o Brasil perde oportunidades constantemente de se sustentar como sólida e rica economia, atrativa a investimentos nos diversos setores.

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